Porque falamos de homofobia, transfobia e bifobia?
- Rui Terrinha

- há 17 horas
- 2 min de leitura

Todos os anos, a 17 de maio, assinala-se o Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia.
A data não foi escolhida ao acaso.
Foi neste dia, em 1990, que a Organização Mundial da Saúde retirou oficialmente a homossexualidade da lista de doenças mentais. Um gesto histórico que hoje pode parecer evidente, mas que durante décadas representou uma mudança profunda na forma como muitas pessoas eram vistas, tratadas e socialmente legitimadas.
Ainda assim, mais de três décadas depois, continua a existir discriminação, violência, exclusão social e sofrimento silencioso associado à orientação sexual e à identidade de género.
E talvez seja precisamente por isso que este dia continua a fazer sentido.
Ainda há quem pergunte porque existe um dia contra a homofobia, transfobia e bifobia. E talvez essa pergunta, por si só, já seja parte da resposta.
Enquanto houver pessoas a esconder quem são por medo de rejeição, humilhação ou exclusão, este tema continua longe de estar resolvido.
Porque o impacto da discriminação não acontece apenas nos grandes episódios de violência visível. Muitas vezes instala-se de forma subtil:
no medo constante de não ser aceite;
na necessidade de medir palavras e comportamentos;
na sensação de não pertencer;
no desgaste emocional de viver em alerta;
no isolamento;
na vergonha construída socialmente.
O corpo e o sistema nervoso não vivem separados da experiência humana.
Quando alguém cresce em ambientes onde aprende que ser quem é pode trazer rejeição, insegurança ou ameaça, isso pode traduzir-se em stress persistente, ansiedade, hipervigilância, tensão corporal, fadiga emocional e sofrimento psicológico prolongado.
Não porque exista algo “errado” na pessoa. Mas porque nenhum ser humano consegue viver continuamente sob medo relacional sem pagar algum preço interno.
Por isso, falar deste tema não é apenas uma questão política ou ideológica. É também uma questão humana, social e de saúde.
Este dia não existe para dividir pessoas. Existe para lembrar que ninguém devia viver com medo de existir de forma autêntica.
Acolher a diversidade não significa pensar todos da mesma forma. Significa reconhecer humanidade mesmo na diferença.
Promover respeito não implica concordar com tudo. Implica compreender que nenhuma pessoa merece ser diminuída, insultada ou tratada como menos humana por causa da sua orientação sexual ou identidade de género.
Num tempo em que as opiniões se tornam frequentemente mais importantes do que as pessoas, talvez valha a pena recuperar algo simples: a capacidade de olhar para o outro sem necessidade de o reduzir àquilo que é diferente em si.
Porque viver em sociedade exige mais do que tolerância. Exige maturidade humana.
E talvez humanidade seja isto: conseguir perceber que a existência do outro não ameaça a nossa.
Nota histórica
O Dia Internacional contra a Homofobia foi criado em 2004 pelo ativista francês Louis-Georges Tin e rapidamente ganhou reconhecimento internacional. Com o tempo, a data passou também a incluir explicitamente a transfobia e a bifobia, refletindo diferentes formas de discriminação relacionadas com orientação sexual e identidade de género.
Hoje, o dia 17 de maio é assinalado em dezenas de países através de iniciativas educativas, culturais, institucionais e de sensibilização pública.



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